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sábado, 31 de março de 2012

Esquadros

Como o girassol gira o mundo por aí
Eu vou andando como viajante sem destino   
Vendo tudo com os olhos de um menino
Talvez um dia eu volte a sorrir                                                            

Na parede um velho quadro de teatro gira     
Outra vez uma cena foi escrita a pincel
Riscando a cortina azul estampada ao céu     
Com movimentos e facetas de um artista

Com olhos de quem assiste a um show no palco
As tomadas me tomam pra dentro do ato
E eu corro pra encontrar meu eterno descanso

E nesse musical eu faço parte e canto
Redescobrindo a arte afinal de conto
São só historias de cadeiras de balanço 

                                                      Lucas Macedo 


sexta-feira, 30 de março de 2012

Sem lar


Correu, fugiu!
Só queria sair de Lá
Menina não chore mais
Por ser assim

Correu, fingiu!
Ser alguém que não tinha dor
Se perdeu e não quis a flor
Que trouxera do seu quintal

Porque partiu,
Como quem ia se encontrar?
Mas seus olhos verdes do mar
Viraram ressaca

E quem não viu
Já não sabe se vai voltar
Decidiu ver o sol pra saber
Dormiu sem lar

Correu, fugiu,
Fingiu saber
Se viu
Não decidiu chorar
Pegou a flor partiu

E antes que houvesse fim
Findou-se o olhar

                                                  Lucas macedo

sexta-feira, 23 de março de 2012

sou

A minha maior imperícia
É não te dizer que amo-te
Inimigo de mim mesmo
Se quando te encontro escondo-me

Te sinto, sentindo-me despedaçar
Pelo vento que voa te tendo nos braços
Embaraço! Hesito em arriscar
E se me calo, não é por não querer falar.

Ora! Não digo que me fazes vivo,
Pois toda minha vida vivo a sofrer de ti
E se na morte não houver abrigo?
Suplico que não me deixes morrer de ti

És tudo na vida o que tenho
E és nada além do abstrato
És tudo que em mim começou
E és nada além do que sou

                                       Lucas Macedo 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Adeus

Adeus, adeus! Disse-me apenas para reter-me a vida
E arremessá-la nas cinzas das horas vazias que viriam.
Mas entre o adeus e a partida instalou-se em meu coração
Uma chama, que me acendeu o desejo e a esperança.
Suas mãos a segurar-me fixando o tempo que nos restava
Seus olhos a enganar minha futura solidão
Seus olhos bebendo meus sonhos
Sua boca fortuita a roubar-me a respiração
E depois: adeus!
As mãos ainda grudadas sem um limite de pele
Adeus, adeus! Sem querer despedir-se de mim
Adeus, adeus! Amando-me mais
Adeus enfim para matar-me a saudade de nós
Adeus, adeus!  A rosa de nossas horas cravou-me
Um espinho no peito, para lembrar-me no sangue
a cor de nosso amor.
Adeus!                                             por Thamires Fassura

quinta-feira, 8 de março de 2012

Boneca de pano

Sorriu, disse que não seria eu
Mas quem pode contar de ti
Sem dizer do sorriso teu
Que o vento trouxe a mim

Sou sincera no que faço e espero
Com gosto o olhar no seu rosto
Corrente nas linhas do que te foi posto
Pra ver o seu gesto mais mero

Menina se corre onde vai parar?
Boneca de pano sabe brincar
De ser gentil

Dos seus olhos eu me disponho
Abre o livro vou te escrever de seu sonho
Como que não dormiu
        
                                           .   Lucas Macedo 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Teatro circense

Fiz da minha cabeça teatro circense
Desvaneci da minha própria mente
Domei as bambas cordas
Equilibrei-me nos ferozes leões
E morri, de rir de mim mesmo
Desmontei minha tenda e fui às ruas
Dar sorrisos grátis, dar abraços grátis
Tirei da minha cartola a alegria
Fiz desaparecer a tristeza de quem sentia
O contorcionismo das lagrimas derramadas
Em cada esquina acendi luzes
‘malabariando’ seus sorrisos no caminho
De volta pra casa

                                                                           .    Lucas Macedo 

Formas sem moldes

A máquina escava
Retorce o céu
Esmaga as nuvens de terra
E esconde a poça com
Cascalhos de meteoritos
Nada mais depois da máquina
O papel se esquece da árvore
Torna-se indústria de letras
Desapego familiar
Da tinta perdida num
Espaço em branco
E aqui não cesso de criar
Formas sem moldes
Para a máquina
Destruir este meu pedaço de chão.

                              Thamires Fassura

Encontro da libélula


Ainda que eu venha lhes contar
A mais singela história
Ainda que não tenha glória
Que seja simplória
Não é Menos notória do que os contos de amor
Pois agonizante é não poder tocar a quem ama
A dor voraz inflama o pobre coração enfermo
Ludibriado por tantas vezes sonhar
Desencantado por não tentar
Ora! Ainda resta o fosco olhar da libélula
Esvoaçante quis se declarar
Afogou-se na maré de luz do seu olhar
Encontrou-se pode enfim acordar
Matou-se por tanto amar
                                
                                   .  Lucas Macedo